Eduardo Filhote e eu, Víctor Lemes, estamos aqui para mais uma crítica de dois, de um dos jogos mais bem feitos da geração passada e que agora chega remasterizado para a nova geração: estamos falando de Beyond: Two Souls.

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VL: Beyond: Two Souls é um jogo de excelente produção: enredo, trilha sonora, atuações, e direção… para seres pensantes. Seres que não pensam apenas em gráficos, matar pessoas, sobreviver em mundos apocalípticos. Pois esses jogos, infelizmente, são os mais procurados por se tratarem de medo. Os que trazem esperança, como Beyond, não têm tanta sorte. Quando troquei The Last of Us por Beyond: Two Souls, eu sabia que seria um bom jogo e passatempo; porém não esperava que este acabasse se tornando o meu jogo favorito e, por conseguinte, o melhor jogo que já tive até hoje.

EF: Beyond: Two Souls não é simplesmente um jogo comum. É muito mais que isso, quando nos permitimos analisar o game em toda a sua infraestrutura. Criado pelos mais que competentes membros da Quantic Dream (que já havia abalado estruturas com Heavy Rain) exclusivamente para o PS3 (agora remasterizado para o PS4), o game é uma experiência narrativa cinematográfica incrível, que permite uma liberdade de escolhas e jogabilidade muito rara de se encontrar em jogos eletrônicos. Gráficos maravilhosos, uma trama complexa, uma narrativa digna de Hollywood, uma jogabilidade funcional e fluida, e muitos outros fatores, contribuíram grandemente para o sucesso que o game causou, apesar de alguns narizes torcidos para o gênero.

 

SOBRE O ENREDO

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EF: Interpretada pela sensacional Ellen Page (Juno), Jodie é uma jovem garotinha que, desde a infância, está ligada à entidade sobrenatural conhecida como Aiden. No game, acompanhamos sua vida, mesmo que fora da ordem cronológica, desde a infância até a vida adulta. Além de Ellen Page no papel da protagonista Jodie, temos também o genial Willem Dafoe (Homem-Aranha, O Anti-Cristo) no papel do cientista Nathan Dawkins, que trabalha para o governo estudando o fenômeno Aiden; Kadeem Hardison, que interpreta o Dr. Cole Freeman, auxiliar de Nathan; Eric Winter como o agente do governo Ryan Clayton, parceiro de Jodie em determinada parte da trama; e Alex Disdier, que interpreta um morador de rua chamado Stan, que interage com Jodie em um dos momentos mais dramáticos e tensos de toda a jogatina.

VL: O enredo é soberbo: uma jornada de vida extraordinária de Jodie Holmes (Ellen Page) em busca do sentido da sua vida, e de respostas sobre vida e morte que acompanha cada ser humano que ainda pensa. Este enredo cheio de mistérios e segredos, aliados à tecnologia de produção da Quantic Dream, e ainda tendo a benção de ter Ellen Page e Willem Dafoe como atores principais, fizeram de Beyond, a meu ver, mil vezes melhor que o jogo predecessor Heavy Rain. Literalmente “beyond” (“além”, em inglês) de todas as minhas expectativas. Quando você assiste o making of, e vê o trabalho que deu para produzir, e você percebe que as atuações no jogo são tão reais quanto às caras e bocas dos atores, o mínimo que eu poderia fazer é enviar as congratulações a David Cage, produtor e diretor de Beyond. A experiência de transmitir, e não apenas isso, também fazer o jogador sentir o jogo, é simplesmente surreal.

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EF: De fato. Os efeitos de captura de movimentos estão á beira da perfeição, com efeitos que reproduzem mesmo os sentimentos e os dramas dos personagens, além de suas posturas e movimentos corporais. Quanto à narrativa adotada pela equipe da Quantic Dreams, é ousada, dinâmica, diferente dos padrões comuns, e funciona muito bem. A história começa na infância de Jodie, seus primeiros contatos com Nathan e Cole, e seu aprendizado em lidar com Aiden. Após estes eventos iniciais, a linha do tempo do game é “ignorada”, em prol de eventos que devem ser contados em ordem: vemos Jodie treinando com a CIA já adulta, depois voltamos à sua adolescência e a primeira vez que ela vai à uma festa, para depois vermos eventos que se passam após alguma missão com a CIA, e por aí vai, seguindo neste vai e vem de eventos passados e futuros, de forma que os eventos são narrados em ordem de relevância , e não em ordem cronológica. Mas apesar de parecer confuso ou mal-elaborado, essa forma de contar a história proporciona um dinamismo tal que é impossível não querer continuar a jogatina para descobrir o que pode acontecer à seguir, além do fato de proporcionar uma quebra interessante na linearidade, dando uma sensação ainda maior de liberdade narrativa e liberdade de jogabilidade.

VL: Na minha opinião, essa quebra de linearidade é o que traz força à história da protagonista, pois aprendemos pedaços de sua vida aos poucos, e vamos amadurecendo os fatos de acordo com o que e como eles ocorreram. É óbvio que desta forma, nos sentimos na pele da protagonista, e conforme já discutimos anteriormente, graças à tecnologia da Quantic Dream é possível mais do que jogarmos, sentimos o que Jodie sente ou pode sentir. Este modo de contar a história em partes, para aqueles que forem jogar na versão remasterizada para o PlayStation 4, poderá ser alterada; na nova versão, será possível jogar o jogo seguindo a ordem cronológica do enredo.

 

SOBRE A JOGABILIDADE

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EF: Com a possibilidade de jogar sozinho ou em duplas, o game usa e abusa de um estilo inovador e único de se jogar. Praticamente todo o game é criado na jogabilidade de QTEs (os famosos Quick Time Events, ou Eventos de Tempo Rápido, aqueles momentos em que apertamos os botões para interagir diretamente com as cenas), fazendo com que o jogador fique o tempo todo focado e ligado em tudo o que está acontecendo. Seja observando um evento que acontece em alguma parte próxima do cenário, interagindo com cenas de luta, ou mesmo guiando Aiden enquanto Jodie se mantém escondida, o game não para em momento algum, e todas as ações devem ser feitas, ou não, dentro do tempo de resposta da ação. Mesmo os diálogos são interativos, e podemos escolher todas as respostas de Jodie, em todos os instantes. E cada resposta pode levar a um caminho ou desenrolar diferente da trama, e muitas vezes um mesmo desafio (como arrumar dinheiro para poder comer) pode ser resolvido de várias formas diferentes (tocando violão, roubando um caixa eletrônico, assaltando uma pessoa, etc).

VL: O mais interessante do jogo é a sua liberdade de escolhas, e os 24 finais que é possível ver… No entanto, se você quiser platinar, apenas 9 finais são necessários assistir. Por mais que digam que “tudo bem, tem várias opções, mas no final a cena dá na mesma” o que vale é a atuação dos personagens perante a sua opção; suas reações são totalmente variadas, não há repetição de caras e bocas! São do jeito que foram gravados, e faz você acreditar realmente que o personagem digitalizado de fato existe… e ainda demonstra sentimentos!

EF: E as opções de Jodie e Aiden influenciam diretamente no desenrolar dos eventos da trama. Fazer o Aiden atacar alguém no passado, pode fazer com que Jodie seja mal vista no futuro, e vice-versa. Da mesma forma que a própria personalidade de Jodie pode ser afetada pelas escolhas que fazemos.

 

SOBRE A TRILHA SONORA

Lorne Balfe (esq.) e Hans Zimmer (dir.)
Lorne Balfe (esq.) e Hans Zimmer (dir.)

VL: A magnífica trilha sonora foi originalmente composta por Normand Corbeil (a quem Cage dedica o jogo nos créditos finais, pois falecera vítima de câncer no início de 2013), e posteriormente, por Lorne Balfe (Assassin’s Creed III) e Hans Zimmer (Heavy Rain, A Origem). Há cenas em que você se emociona, ou sente a adrenalina, apenas pela música de fundo tão bem produzida e tocada, digna de um filme de Hollywood. Há uma mistura de Deus Ex: Human Revolution com Arquivo X, e estilo New Age.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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EF: Beyond: Two Souls, por esses e vários outros motivos, é definitivamente um dos melhores títulos exclusivos para o console da Sony, e uma das melhores experiências com games de todos os tempos! Unindo vários fatores inovadores, uma fluidez notável, e uma qualidade técnica de respeito, o game é certamente um “must buy, must play” que merece destaque na coleção de qualquer um! Fica a dica!

VL: Para a geração de consoles que foi criado, Beyond excede em qualidade de gráficos e jogabilidade. Não espere um bonequinho livre para correr para qualquer lado, pular em objetos, ou escalar paredes, como acontece com outras franquias famosas, pois Beyond não foi feito para explorar mapas; foi feito para expandir sua consciência, foi feito para você refletir sobre seus atos, e sobre seus possíveis resultados. Beyond: Two Souls é um prato cheio para quem já se perguntou muito pra onde vamos, e pra quê existimos. É um jogo e um filme fantástico. Uma obra-prima da Quantic Dream que, sem dúvida, nunca partirá da minha coleção.

 

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Beyond: Two Souls
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